7.27.2010

O SEXO DOS ANJOS

O Sexo dos Anjos
Técnica mista | 100 x 150 cm | 2010








O Sexo dos Anjos
(pormenores)

6.24.2010

MENTES GORDAS ALMAS MAGRAS


O processo criativo é um percurso contínuo de fluidez de raciocínios inconscientes. É talvez onde acontece o maior dar de mim. É uma viagem de ininterrupta interiorização que me consome e me leva a registar as emoções com as quais me cruzo e que me atravessam. Tomo então consciência do que vejo ao viajar. Paro. Nascem novos conceitos, surgem novas temáticas, que são fruto de anteriores paragens ao longo deste percurso contínuo. Exteriorizo e transfiro para o imenso branco da tela a exaltação que me vai na alma e que é afinal a essência do que me leva a pintar.

Busco, não a pureza das formas femininas, mas sim o transformar da banal nudez em emoções extraordinariamente vibrantes, que sinto na fase final de cada pintar, onde, após uma pausa imposta a mim mesmo, descarrego sobre a volumetria contida e estudada, as agressivas e negras pinceladas caladas na própria condição do ser-se gordo, aos olhos de uma sociedade de alma cada vez mais anorectica e cruel.

É para mim um desafio, olhar nos olhos e enfrentar, os cânones estéticos que a sociedade estabelece e idolatra, enquanto reprova e estigmatiza o “menos belo”.

Pinto as emoções sentidas por mulheres que por uma ou outra razão ocupam mais espaço no cosmos. Mulheres que tantas vezes gostariam de ser bailarinas mas que se veem obrigadas a dançar sozinhas, no escuro, em silêncio, no sonho... Pois se ousam falar das suas ambições são certamente motivo de riso ou até mesmo de exclusão porque, cada vez mais, o parecer se sobrepõe ao ser.

Esta é a sociedade, na qual nos inserimos. Uma sociedade onde os valores humanos são muitas vezes atropelados por valores que nada valem.

Assim são as mentes gordas, as almas magras.

Ricardo Passos, 2006


Fila
Acrílico sobre tela | 100 x 150 cms | da série "Mentes Gordas Almas Magras" | ano 2006

Encosto
Acrílico sobre tela | 100 x 150 cms | da série "Mentes Gordas Almas Magras" | ano 2006

Montanhas
Acrílico sobre tela | 100 x 150 cms | da série "Mentes Gordas Almas Magras | ano 2006

Montes e Vales
Acrílico sobre tela | 100 x 150 cms | da série "Mentes Gordas Almas magras" | ano 2006

A Sesta
Acrílico sobre tela | 200 x 150 cms | da série "Mentes Gordas Almas Magras" | ano 2006

A MÃE

A Mãe
Acrílico sobre tela | 100 x 150 cms | da série "Mentes Gordas Almas Magras - 1" | ano 2005

6.03.2010

6º Salão Erótico de Lisboa - 2010

Ricardo Passos participa com duas obras da série "Mentes Gordas, Almas Magras" ("Barbie, beleza americana" e "Amar o Mar"), na exposição de Arte Erótica que inaugura no dia 4 de Junho no Pavilhão 4 da FIL, durante a realização do 6º Salão Erótico de Lisboa.
Desde os primórdios da civilização que existe arte erótica. O Homem, nas cavernas, já pintava imagens que exprimiam sentimentos de carinho, desejo e coito através de uma representação explicita da ideia. Desde essa altura o erotismo floresce e os artistas alimentam as suas criações, cada vez mais explícitas, como representações claras de desejo. Nesta exposição um vasto leque de artistas transmite o desejo a sonhar com o erotismo e até mesmo descobrir o seu próprio sentido sexual e erótico.
O certame encerra a 6 de Junho.


Barbie - Beleza Americana

Acrílico sobre tela | 100 x 150 cms | Da série "Mentes Gordas, Almas Magras" | 2005


Amar o Mar
Acrílico sobre tela | 100 x 150 cms | Da série "Mentes Gordas, Almas Magras" | 2005


5.11.2010

MIAB - Bienal Internacional Arte Madeira 2010


Ruiva
Acrílico sobre tela | 150 x 40 cms | da série "Mater"

O evento inaugura a 29 de Junho e decorre no Estreito de Câmara de Lobos - Madeira. Para além deste espaço, as mais de 100 obras exibidas nesta bienal vão estar distribuídas pelo Museu da Electricidade Casa da Luz, Casa da Cultura de Santana, Casa da Cultura de Santa Cruz e Centro Cívico Ponta do Pargo, a inaugurar em datas diferentes.




5.09.2010

A RAINHA DA MANTA DE RETALHOS

A Rainha da Manta de Retalhos
Técnica mista | 120 x 120 cms (díptico) | Da série "Era uma vez"




Retalho a retalho
de duras mas alegres vidas
que por vezes mais não tinham
na mesa por alimento
que a sardinha rainha por todos repartida
fizemos um Portugal
empoleirado em crises
de pompons calçados
e do Algarve ao Minho
exibimos filigranas
em rostos tristes
e oferecemos festas
com o dinheiro que não temos
mas agora na certeza
de que ainda há uma esperança
na geração que fizemos
porque só e apenas
ela nos resta

por Lena Nogueira

5.08.2010

REALIDADE FILTRADA

REALIDADE FILTRADA é o título da exposição colectiva de Pintura e Escultura, que se realiza de 7 a 29 de Maio, na Galeria da Ordem dos Médicos (Av. Almirante Gago Coutinho, 151 Lisboa)
Para além de Ricardo Passos, que expõe duas obras da série "Era Uma Vez", foram também convidados a participar nesta exposição, os artistas plásticos Alexandra Guedes Vaz, Clo Bourgard, Eleonora Drummond, Fernando d'F Pereira, José Maria Pinedo, Marco Ayres, Rodrigo Alzamora, Urbano da Cruz e Filipe Curado.

Ricardo Passos participa nesta exposição, com as obras "Diz-me" e "Pietá"


5.05.2010

ESPAÇO DE ARTE MARINA CRUZ


Ricardo Passos foi convidado a expor, por Marina Cruz, a propósito da comemoração do seu 30º aniversário do Espaço de Arte Marina Cruz.
Onze obras da série "Ditos", onde alguns provérbios portugueses são transportados para os seus significados literais, despindo-se das metáforas originais.

"Não será beleza, também, a desconstrução dos estereótipos que podemos estarrecidos admirar na obra de eximia complexidade de Ricardo Passos, convocando-nos para um império dos sentidos?"
Dr. Luís Galego
(Mestre em Sociologia)

Na exposição poderão ainda ser apreciadas, obras da escultora Beatriz Cunha.

Exposição patente ao público até 14 de Julho.
Av. Miguel Bombarda, 133 A • 1050-164 Lisboa









4.21.2010

VENDE-SE PELA MELHOR OFERTA


UMA MÃO CHEIA DE CRAVOS
DENTRO DE UM PAIS QUADRADO

Técnica mista com ferro oxidado | 92 x 92 cms | 2009

AS AMORAS

O meu país sabe a amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Sophia de Mello Breyner Andresen