Exposição organizada pela Câmara Municipal de Mafra PINTURA - Ricardo Passos "Com o Rei na Barriga"; INSTALAÇÃO - Paula Rousseau "Divina Decadência"; VÍDEO - Thierry Ferreira "Casa da minha terra" - três exposições que apresentadas num único SONHO EM CONTRAPONTO, "convidam-nos a apreciar um certo sentido da História com o poder de sedução que a Arte efectivamente tem"
Mário Pereira Director do Palácio Nacional de Mafra
Assim, e considerando que a tradição artística do Concelho de Mafra tem as suas raízes profundas no monumento que acolhe esta exposição, a mesma constitui "um contributo na valorização deste legado e, ao mesmo tempo, um convite à integração de novas linguagens artísticas num contexto histórico-patrimonial"
José Ministro dos Santos Presidente da Câmara Municipal de Mafra
Ricardo Passos participa com duas obras na Exposição/Venda que a GALERIA-ACTUAL em parceria com a Liga Portuguesa Contra a SIDA (LPCS) inauguraram ontem, dia 4 de Dezembro. Estão também representados outros artistas plásticos como, Jacinto Luís, Maluda, Vieira Baptista, João Feijó, Alfredo Luz, Pedro Correia, Victor Lages, Santos Carvalho, Gustavo Fernandes e Júlio Pomar, entre outros. Patente ao público até 24 de Dezembro
Era uma vez uma rainha que tinha corvos no ventre, que afagava com as garras, fazendo-os cegar de amor. E as suas penas maiores, queimadas com quente fel, tornava-os pássaros feridos, órfãos e famintos de afecto. Reinava com paixão a preto e branco. De noite chorava a vida, de dia vivia a morte. E do seu trono dourado, que ocultava um simples banco, vomitava placentas de um azul triste escarlate. Era uma vez uma rainha, que morrera com o sonho de amar um rei, que das entranhas lhe sairia, como um tratado de paz celebrado com uma coroa de espinhos, fruto do desencanto pelo guerreiro Real, que em vassalo cobridor se metamorfoseara. Era uma vez uma rainha, que queria ter experimentado ser Mãe de um Filho. Era uma ver uma rainha, que gerou um Rei.
Ricardo Passos
Diz-me
Técnica mista | 120 x 120 cms (díptico) | Da série "Era uma vez uma rainha"
Vá... Comam Comam
Técnica mista | 120 x 120 cms (díptico) | Da série "Era uma vez uma rainha"
A Fundação Ricardo Espírito Santo Silva inicia em Janeiro de 2010 o novo Curso de Pintura Contemporânea. Um curso que funcionará em horário pós-laboral, permitindo assim a que todos os interessados pelo mundo das artes possam adquirir uma visão real do panorama artístico internacional contemporâneo. Será um curso que para além das aulas de atelier de pintura figurativa e abstracta, contará com uma forte componente teórica de seminários, onde serão convidadas a participar nos mesmos, diversas individualidades no mundo das artes; artistas plásticos, galeristas, curadores, coleccionadores... Aos sábados far-se-ão visitas acompanhadas por técnicos especializados, a museus, galerias, ateliers de artistas... para assim se ter uma melhor percepção de toda a envolvência em torno das artes. Estas visitas serão abertas ao público em geral. Coordenação do curso: Ricardo Passos
“(…) Cidades interiores construídas sobre o afecto albergam pausas dilatadas, quase presenças, figuras arcaicas, numa evolução contínua, numa progressiva e constante procura das raízes do ser humano: «Mater», fragmentos de matéria feita de matéria, feita de emoção, emotividade que se move, que guia, a energia criativa de Ricardo Passos, na composição do infinito dentro de ti... mulher, alma fortificada, alma etérea sobre asas ao vento.(…)”
"(...) Portugal tem uma longa tradição de ditos e provérbios populares. Passos não é indiferente a esta realidade, abordando-a com ironia e humor, transportando os provérbios para os seus significados literais, despindo-os das suas metáforas originais, mas carregando-os de novos significados.
“A cara de um é o focinho do outro”, por exemplo, mostra-nos, de um modo cortante, o ridículo da expressão em que um focinho de porco toma o lugar de um nariz. Deste modo, recorrendo ao absurdo, o artista questiona e leva-nos a questionar a validade dos provérbios populares. A coerência visual é tão importante como a coerência conceptual no trabalho de Ricardo Passos. Nesta exposição apercebemo-nos da ironia, do humor e da crítica social que caracterizam todo o seu trabalho."
São quatro as obras que o artista plástico Ricardo Passos irá apresentar em Outubro, na Galeria ARC-16, em Faro. Uma exposição colectiva, onde se pretende homenagear a vagina. Para além de Ricardo Passos, participarão também nesta mostra, os artistas plásticos Maria João Franco, Chichorro, Rico Sequeira e António Inverno, entre outros.
IBIZA LOVERS é o título da mini série temática que Ricardo Passos criou para a Galeria F&R Artes, em Ibiza, a apresentar durante os meses de Agosto e Setembro nesta ilha do Mediterrâneo, que é tida como a melhor noite do mundo para quem gosta de sair.
IBIZA LOVERS 1 40 x 40 cms | técnica mista
IBIZA LOVERS 2 40 x 40 cms | técnica mista
IBIZA LOVERS 3 30 x 30 cms | técnica mista
IBIZA LOVERS 4 30 x 30 cms | técnica mista
IBIZA LOVERS 5 30 x 30 cms | técnica mista
Galeria F&R Artes | Calle de la Virgen, 12 | IBIZA - ESPANHA
Ricardo Passos será representado neste evento, com a obra Porque no te callas, perra?
¿Porque no te callas, perra?
técnica mista 90 x 120 cms 2009
O violino chorava cândidos acordes, na densa e tenebrosa noite onde só a débil luz dos vaga-lumes alumiava os corações das já decadentes fadas sem condão. As meninas, uma à esquerda, outra à direita, debruçavam-se docemente sobre Sua Alteza Real, oferecendo-lhe o habitual chá de perpétuas roxas feito com a mais pura das águas, a do Luso, enquanto esta murmurava: – ¿Porque no te callas, perra? E a inquieta cadela, ladrava, uivava, retorcia-se, revoltando a terra adormecida. Quando o cão é danado, todos lhe atiram pedras – pensava a astuta raposa voyeur, que por entre as árvores se masturbava, assistindo a toda esta hipócrita encenação, ciente de que só ela entendia a raiva canídea. Os prenúncios da alvorada não tardariam a chegar; altura em que as aias, no denso nevoeiro, se iriam deleitar num promíscuo e clandestino amor conspirativo, contra Sua Magestade. Um amor silencioso, visto que a pobre e sui generis fadista macrocéfala perdera a capacidade de cantar, no dia em que ingeriu os estilhaços do espelho da felicidade.
Ricardo Passos é o autor da capa, e um dos artistas plásticos integrado no livro MITOS DA ARTE - Antologia de Pintores Portugueses Contemporâneos, editado pela Chiado Editora. Sessão de lançamento do livro, no sábado dia 25 de Julho, pelas 18:00 h, no Museu Colecção Berardo, no Centro Cultural de Belém.
Lamento aos que não conheçam que não conheçam RICARDO PASSOS
Ricardo Passos é artista plástico. Artista. E de plástico apenas tem duas coisas: a composição química que lhe permitirá perdurar muitos e muitos anos e a elasticidade interminável da sua original visão do mundo.
Mas um Artista não pode ser apenas artista. Passos tem um talento descarado. Que dói. Observar a obra dele é sermos invisuais, porque é ele quem nos conduz e dele são os nossos olhos. Não, não é exagero. Exagero é o esticão mental e emotivo que ele nos obriga a dar para apreender donde vem tanto cosmos embutido no pêlo de cada pincel. Não se faz, Ricardo!
E não se faz porque é sempre aquele quadro que queríamos ter pintado e nunca conseguimos. Não se faz porque só daquela porosidade saem tais qualidades sufocantes. Cada quadro, de cada série de quadros é uma tela musicada, escrita, esculpida, uma orgia donde nenhuma das artes se esconde.
Nem só de cósmico se frui, há algo muito terreno, muito uterino também, uma quietude quente que nos abraça a boca.
"Pintei imaginando, porque nunca poderei sentir" - disse algures.
Ok, eu calo-me. Realmente não tenho palavras para descrever, aqui fica o próprio pelo próprio...
Na sequência do projecto "Art&mente" José Neto (filósofo e artista plástico) e Sofia Raposo (filósofa e especialista em História e Filosofia das Ciências) entrevistam Ricardo Passos, na série "A arte e a mente de:"
Ivo Passos estará representado na Bienal Internacional de Arte - Porto Santo 2009, com o vídeo The Seven Deadly Sins. Um trabalho criado a partir da série Pecados Capitais, de Ricardo Passos
Ricardo Passos participa com duas obras da série "Mentes Gordas, Almas Magras", na próxima edição da Bienal Internacional de Arte, subordinada ao tema "De Corpo e Alma", que decorrerá em Agosto na ilha de Porto Santo.
É através das formas generosas que instauro o meu universo de emoções. Figuras femininas que desafiam a magreza e a beleza convencionais, provam que a criação plástica pode estar ao lado da crítica à futilidade da sociedade que estigmatiza o “menos belo” e idolatra valores que nada valem. Uma sociedade de mente obesa e alma anoréctica. E nunca ninguém questionou o tão grande espaço que ocupa no cosmos, o magistral Coliseu de Roma.
Ricardo Passos participa com duas obras na exposição PONTES LUSO-GALAICAS, promovida pela Galeria Vieira Portuense e a realizar no Clube dos Fenianos Portuenses. Esta mostra de arte, que comemora os 900 anos do nascimento de D. Afonso Henriques, e que conta com artistas plásticos portugueses e galegos, pretende ser um elo de união de dois povos que, ao longo de 9 séculos nunca deixaram de ser cúmplices, apesar das fronteiras que os poderes dominantes tecem. Uma exposição a inaugurar a 18 de Julho de 2009, pelas 18:00 horas. Rua dos Finianos, 19 - Porto (ao lado da Câmara Municipal do Porto)
Artista plástico cosmopolita e de assumida contemporaneidade, Ricardo Passos reconhece Alter do Chão como solo fecundo onde se encontram enraizadas as relações familiares, as memórias de infância e os afectos genuínos. A sinceridade com que revive as cores, os aromas, os sons deste “seu cantinho alentejano” atesta do indisfarçável carinho que nutre por esta vila o que, de per si, bastaria para que as portas do Castelo de Alter do Chão se abrissem para acolher a sua obra. Vivendo há tantos anos na cidade, consegue ainda reviver a sua experiência nesta vila de um modo tão contagiante, que torna impossível, àqueles que a não conhecem, resistir ao desafio de “experienciar Alter do Chão”. (...) Por esta via se alcança uma simbiose entre espaço e obra tão curiosa quanto difícil de alcançar e, por isso mesmo, merecedora de um olhar particularmente cuidado que proporcionará, certamente, uma experiência irrepetível.
Mafalda Sadio (Vice-Presidente da Câmara Municipal de Alter do Chão)
Com o Rei na Barriga - XXVII Da série "Com o Rei na Barriga" acrílico s/ tela com fragmentos de folha de prata 100 x 100 cms 2009
DE COR CINZENTA
Desliza a coroa Esboroa-se a mente Não sabe o que sente De tanto sentir Sentir a tristeza Do fraco poder Sentir que não sente As mágoas da gente
Deslizam as coroas Na colcha de seda Estira-se o corpo Na manta cinzenta Desfaz-se o sorriso De cor bacilenta
Também os meninos Na lata nascidos Têm cor bacilenta E dedos cinzentos Da terra que pegam Da água sem brilho da água com cor
De cor bacilenta E vestes cinzentas Se vestem idosos Que sentem a dor A dor de não terem Os filhos presentes Sentem os ausentes Nas ruas dormentes
Três mundos num mundo três de cor cinzenta Com brilho e sem brilho E cor bacilenta
Se todos unidos Mostrarmos tais mundos Com traços profundos Podem surgir normas De todas as formas E tudo mudar
de Célia Alves Artista Plástica
Quem não tem olhos, vê com os óculos Da série "Provérbios Portugueses" acrílico sobre tela 100 x 170 cms (díptico) 2009
A coerência visual é tão importante como a coerência conceptual no trabalho de Ricardo Passos. Nesta exposição, vemos duas das suas séries e percebemos a ironia, o humor e a crítica social que caracterizam todo o seu trabalho. A série “Com o Rei na Barriga” fala-nos de responsabilidades, de pressão social, de deveres, de ansiedade e até de alguma hipocrisia. Tudo isto dito com ironia, com um sorriso no olhar e com questões que Passos nos faz e que, na nossa sociedade contemporânea, são actuais e pertinentes. Portugal tem uma longa tradição de ditos e provérbios populares. Passos não é indiferente a esta tradição e questiona os provérbios com ironia e humor. Transportando os provérbios para os seus significados literais, despe-os das suas metáforas originais mas carrega-os de novos significados na série Provérbios Portugueses.